A influencia da dieta na gestação saudável

Os primeiros 1000 dias de uma criança, que vão da concepção até o fim do segundo ano de vida, são fundamentais para garantir um crescimento e desenvolvimento saudáveis do bebê, tanto na vida escolar como adulta. Este período é, atualmente, reconhecido como o mais importante para assegurar o pleno desenvolvimento físico e mental em todas as fases da vida.

Existe cada vez mais consenso sobre a importância desse momento, essa janela de oportunidade acontece antes do nascimento, desde a concepção até o parto, durante a gestação. Nesse período, o bebê depende exclusivamente da nutrição materna, e o que recebemos nessa época serve para construirmos nossos órgãos e nosso cérebro, uma ferramenta para a saúde e para o desenvolvimento cognitivo. Além disso, a nutrição pré-natal também é importante para o fortalecimento do sistema imune, que nos defenderá a vida toda.

Por isso, os efeitos da nutrição inadequada durante a gestação podem ser irreversíveis, principalmente se estendida até os primeiros 1000 dias, impactando nossos potenciais de desenvolvimento e crescimento em todos os ciclos da vida.

Se para o bebê os primeiros dias são o momento chave da nutrição em sua vida, para as mães não há período mais importante para cuidar da nutrição que durante a gravidez. Nesse momento, verdadeiramente se come por dois, no sentido mais amplo da palavra, a dieta deve oferecer não só os nutrientes para mãe como também para o bebê, garantindo o pleno desenvolvimento e crescimento do feto, incluindo seu potencial intelectual.

Por sorte, hoje vivemos numa sociedade e numa época que os alimentos de alta densidade nutricional são acessíveis e fáceis de incorporar na dieta. O caminho a seguir, é assegurar que ambos, mãe e bebê estão recebendo os nutrientes que o corpo requer, incluindo as 12 vitaminas e os 17 minerais essenciais que precisamos ingerir diariamente. Isso se alcança aderindo uma dieta equilibrada durante a gestação e lactação, além do desmame adequado.

Embora todos os nutrientes sejam importantes nessa fase, inclusive a quantidade de calorias ingeridas, há alguns que se destacam por ter efeito benéfico ao bebê, além de promover à saúde da mãe, e assim, merecem uma maior atenção.

De fato, estudos recentes mostram que a deficiência desses nutrientes fundamentais pode estar relacionada com pré-eclâmpsia, mau crescimento do feto, defeitos no tubo neural, deformidades ósseas e baixo peso ao nascer.

Dentre esses nutrientes fundamentais, vamos destacar, nesse momento, o ômega 3 DHA, a colina e o iodo.

1. Ômega 3: Um dos ácidos graxos de cadeia longa da família dos ômegas 3, o DHA (ácido docosahexanoico) é o ácido graxo estrutural mais importante do cérebro. Não só se encarrega da forma, tamanho e funcionalidade normal do tecido cerebral, como também influencia o desenvolvimento de habilidades e funções cognitivas, além do desenvolvimento de olhos e visão.

Os bebês nascem com 25% do cérebro desenvolvidos, o restante acontecerá até os três anos de vida, por isso os primeiros anos, desde a gestão, são críticos para o pleno desenvolvimento da criança. As investigações, de fato, têm mostrado que bebês que nasceram de mães com nível plasmático de DHA elevado, mostraram desenvolvimento superior quando comparados àqueles nascidos de mães com baixo nível de DHA.

Os seres humanos não podem fabricar os ácidos graxos ômega 3 e nem DHA, para isso devemos obtê-los exclusivamente pela dieta. O DHA encontra-se, exclusivamente, em pescados gordurosos, tais como sardinha, arenque, atum e salmão.

Os suplementos podem ser uma opção interessante para aquelas mulheres que não consomem ou devem evitar o consumo de pescados durante a gestação, mas querem garantir a ingestão recomendada de 200mg de DHA por dia, segundo o I Consenso da Associação Brasileira de Nutrologia sobre recomendações de DHA na gestação, lactação e infância. Em outras circunstâncias, a recomendação é consumir duas porções desses peixes por semana.

 

2. Colina: a colina é um nutriente normalmente classificado no grupo das vitaminas do complexo B e apresenta um papel fundamental no desenvolvimento e na formação do cérebro do bebê, principalmente de áreas relacionadas à memória a longo prazo e à aprendizagem. Quando consumidas em quantidades adequadas, assim como ácido fólico, pode prevenir defeitos no tubo neural.

Os bebês das mulheres que consomem quantidades adequadas de colina têm quatro vezes menos chance de ter defeitos no tubo neural em relação àquelas com consumo insuficiente. Para os recém-nascidos o leite materno é rico em colina. Para as mães, a principal fonte são os ovos, seguidos das carnes e pescados, para aquelas que seguem dietas veganas, há risco de deficiência e por isso o uso de suplementos é indicado.

3. Iodo: esse nutriente contribui para função cognitiva normal e durante as primeiras 12 semanas de gestação também participam da formação da massa cefálica do feto. Dessa maneira, na gestação, a necessidade de iodo está aumentada, pois deve atender as necessidades da mãe, funcionamento adequado da tiroide e síntese de hormônios e ao mesmo tempo atender a demanda fetal. A deficiência de iodo pode ter consequências sérias a saúde do bebê, por isso é muito importante atender a recomendação diária de ingestão desse nutriente. Na amamentação as necessidades maternas também se encontram aumentadas e o consumo de fontes de iodo deve continuar enfatizado. O leite materno deverá conter quantidades suficientes de iodo para garantir o funcionamento hormonal do bebê e garantir o pleno desenvolvimento cerebral, que está em ritmo acelerado.

As principais fontes de iodo na dieta são os leites e derivados e o sal iodado, quando garantido por políticas públicas. Alguns estudos têm mostrado que um terço das mães que apresentam deficiência de iodo, têm filhos, aos 8 anos, com dificuldade na leitura. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que mulheres grávidas consumam 250mcg de iodo diariamente, por meio da dieta ou suplementos.