Dicas para a alimentação da criança na idade escolar.

Lic. Cecilia Garcia Schinkel, nutricionista.

Na alimentação das crianças em idade escolar, os pais têm um papel fundamental. São quem selecionam, compram e servem os alimentos que nutrem seus filhos. Por isso, é importante conhecer e reconhecer não só as necessidades nutricionais, mas também as características psicossociais desta etapa da vida. Aqui, apresentamos algumas dicas e conselhos que podem te ajudar

1. Que cada lanche valha a pena.

As crianças em idade escolher apresentam dois desafios a respeito de sua alimentação. Por um lado, podem ser muito seletivos no que gostam e escolhem, e por outro, devido a sua taxa de crescimento ser menor nessa idade, eles têm menos apetite, portanto, prestam menos atenção e não dão prioridade para a hora da refeição.   

Por isso, os adultos ao seu redor devem, em primeiro lugar, dar atenção ao volume total da comida, considerando que a capacidade gástrica de uma criança de 10 anos, por exemplo, oscila entre 240 e 500ml. Assim, recomendamos servir poucos pratos, uma ou duas vezes, e cuidar para que as porções não sejam muito volumosas. Servir entrada, sopa e prato principal, como os adultos estão acostumados, ou permitir que ele se sirva de pão ou batata antes da refeição, como acontece em restaurantes, não são as melhores práticas.

Tenha uma atenção especial em todos os lanches. As crianças em idade escolar necessitam de diferentes nutrientes essenciais em quantidades aumentadas para poder garantir seu desenvolvimento e ter um bom rendimento escolar. São especialmente importantes nesta etapa, as vitaminas e os minerais. O ferro para a oxigenação do sangue, as vitaminas do complexo B para a condução de estímulos nervosos e metabolismo, os antioxidantes como as vitaminas A, C e E, além de diversos outros minerais que nos ajudam a prevenir doenças e infecções.

São vários os minerais e vitaminas que as crianças precisam, e a melhor maneira de obtê-los é através de uma dieta completa e equilibrada, que inclua abundantemente frutas e verduras, produtos de origem animal e derivados de leite, assim como leguminosas e cereais integrais.

Outra maneira de obter essas vitaminas e minerais essenciais é incluindo dentro dessa mesma dieta completa e equilibrada, alimentos enriquecidos com vitaminas e minerais, que possuem abundancia das mesmas, são de fácil absorção, e possuem sabores e texturas que agradam as crianças.

Outro nutriente essencial na idade escolar, é o DHA, um ácido graxo da família ômega 3, muito longo e flexível, que é um componente essencial do cérebro e ajuda as crianças a desenvolverem suas habilidades de leitura e escrita e a formar as conexões e sinapses entre os neurônios, permitindo o desenvolvimento cognitivo. Consumir DHA suficiente, segundo as recomendações, não é fácil. Por isso, os alimentos enriquecidos são uma alternativa ideal.

2. Lembre-se que as crianças em idade escolar sofrem de neofobia.

É comprovado, mas poucos sabem, que algumas crianças sofrem de neofobia, o medo de adicionar algo novo à dieta. São muito receosos a provar alimentos novos e desconfiam das refeições montadas ou elaboradas de uma forma diferente. Um pouco de cebola picada ou salsinha flutuando no prato é suficiente para que a criança rejeite a comida ou fique desmotivada a comer.

A neofobia é uma proteção natural à ingestão de alimentos nocivos na natureza, mas que faz com que a criança seja muito desconfiada, sobre tudo das cores fortes, como o verde intenso ou o roxo de algumas frutas e verduras, e aos sabores amargos. Por isso, para introduzir um alimento novo na dieta, é preciso oferecê-lo várias vezes e deixar que a criança, aos poucos, se anime em olhar para ele, depois tocar, e finalmente provar. Servir refeições conhecidas do modo conhecido é importante, já que isto incrementa a disposição do pequeno ao ingeri-las, mas oferecer novas preparações com paciência e várias vezes são formas de conseguir sua aceitação.

Finalmente, em refeições que possuem múltiplos ingredientes, recomenda-se deixar que a criança escolha como montá-las ou prepara-las. Para alguns pequenos, a neofobia, pode ser a forma que um ingrediente toca o outro, já faz com que o prato completo não seja desejável. Obrigar uma criança dessa idade a comer algo, pode ser contraproducente, mas incluí-los na preparação e montagem de seus próprios alimentos é uma ótima ideia.

  1. Você decide o que e quando, e eles decidem quanto e como

Trata-se de uma regra fundamental que não deve ser esquecida. É papel dos pais e adultos ao redor, comprar, preparar e servir os alimentos saudáveis e equilibrados para as crianças, porém, são elas que decidem se vão comer ou não, e também quanto vão comer. Ir contra essa regra pode transformar a alimentação em momentos de conflito e controle dos pais. Se os pais oferecem 5 vezes por dia: 3 refeições e 2 lanches, completos e equilibrados, a criança terá uma alimentação saudável, mesmo que em uma refeição não tenha ingerido muito de um grupo de alimentos ou alimento em particular. Regra de ouro, que evita conflitos e faz com que a refeição seja um momento de prazer, dê ao seu filho a chance de controlar sua alimentação, porém, se você também oferece doces e petiscos, o equilibro dessa equação pode ser alterado. Por isso, os alimentos de baixa densidade nutricional, como as guloseimas devem ter regras muito claras de quando podem ser consumidos.