Quatro maneiras para a criança comer vegetais

Se pudéssemos elencar as maiores dificuldades que os pais relatam em relação a alimentação dos filhos, certamente, a dificuldade em fazer a criança comer verdura estaria em uma das principais posições.

O comportamento de recusa alimentar é bastante comum na infância e cerca de 25 a 35% das crianças apresentam dificuldades na alimentação. E uma das maiores recusas, são sempre os vegetais.

Mas por que será que é tão difícil fazer as crianças comerem estes alimentos?

De forma geral, as crianças apresentam apetite apropriado para sua idade, que por sua vez, exige demandas diferenciadas. Em períodos de crescimento e desenvolvimento mais acentuados, as crianças precisam de uma oferta energética e de nutrientes maior, como até o primeiro ano de vida e no período da pré-adolescência. Neste intervalo, o crescimento da criança é mais lento e, por sua, vez, o apetite também diminui.

Somado a isso, ainda existe o fato de as crianças preferirem os alimentos de sabor doce e calóricos, isso porque, o sabor doce é inato ao ser humano, não precisando ser apreendido, como os demais sabores. À medida que a criança cresce, naturalmente, ela vai fazendo suas próprias escolhas alimentares. Por isso, é importante que desde o período da introdução alimentar, a criança seja exposta a alimentos como os vegetais e que estes alimentos façam parte da alimentação da família.

A própria recusa alimentar gera, por sua vez, um ambiente mais tenso, em que os pais ou cuidadores insistem na oferta de alimentos, ou mesmo, nas conhecidas “trocas” do tipo: “se você comer o brócolis, você ganha a sobremesa”.

Mas então, como resolver essa questão?

Algumas medidas podem ser adotadas pelos pais ou cuidadores para estimular a criança a comerem mais vegetais, tais como:

  • Pratos coloridos – para que os vegetais sejam aceitos pela criança, procure escolher um prato de cor neutra para que os alimentos fiquem em destaque, por exemplo: você pode servir um brócolis, com cenoura e tomate cereja! Cheio de cores que estimula a vontade da criança em descobrir os sabores.
  • Seja o exemplo – como sempre, para que a criança consuma vegetais, é importante que estes alimentos façam parte da rotina alimentar da família.
  • Inserir a criança nos preparos – envolver a criança no processo de alimentação costuma incentivar e estimular sua vontade para se alimentar. Leve-a às compras e incentive ela a escolher vegetais que ela quer consumir. Explore as cores, deixe-a segurar, ajudar na preparação das refeições (claro, dentro do que a idade permite). Quando a criança sente que participa desse processo, ela fica muito mais motivada a consumir aquilo que ajudou a preparar. 
  • Estimular a criatividade – para casos extremos, em que a criança não come nenhum vegetal, uma alternativa é agregar estes alimentos às preparações e associar com personagens que as crianças gostam. Por exemplo, você pode fazer um bolinho de espinafre e agrião e dizer que é o bolo do Hulk. Pode também, utilizar cortadores para cortar as preparações ou os vegetais com o formato dos personagens preferidos! A criançada adora!

Portanto, o mais importante é que a família crie condições adequadas para a criança entenda que consumir vegetais faz parte da rotina da família. Além disso, tranquilizar-se com os dias de recusa, afinal, nem nós mantemos o mesmo apetite todos os dias. Nesses dias, ofereça alimentos da preferencia da criança na versão fortificada, os alimentos fortificados garantem as vitaminas do dia, sem estresse.

Mas, caso seu filho apresente um comportamento diferenciado e dificuldade na alimentação, busque sempre ajuda profissional, para que possa ser avaliado e tomar as medidas necessárias de acordo com a realidade de cada criança ou família e avaliar a necessidade de suplementação, em caso de deficiências de nutrientes.

Referências bibliográficas:

Brasil, A. L. D. Recusa alimentar na infância. In: Weffort, V. R. S.; Lamounier, J. A. Nutrição em pediatria: da neonatologia à adolescência. Barueri: Manole, 2017.

Fisberg, M.; Tosatti, A. M.; Abreu, C. L.  A criança que não come – abordagem pediátrico comportamental. 2º. Congresso Internacional Sabará de Especialidades Pediátricas. No. 4, vol,. 1, 2014.