Qual é a quantidade de exercício que seu filho precisa realizar?

Nosso corpo está desenhado para se manter ativo, milhares de anos de evolução nos prepararam para caminhar longas distâncias, correr atrás de nossas presas e gastar muita energia com isso. Há décadas, a vida adulta se tornou sedentária, e hoje, existe evidência de que não só é importante fazer exercício, mas que permanecer sentado por muito tempo é também um fator de risco para desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes, além de aumentar a mortalidade em geral [1, 2].

Até pouco tempo atrás, as crianças costumavam brincar e se mantinham ativos, mas as mudanças no estilo de vida, principalmente em cidades grandes, modificaram seus hábitos. O uso de dispositivos eletrônicos, a falta de espaço para realizar atividades recreativas, as grandes distâncias da casa até a escola, a insegurança e a falta de recursos econômicos contribuem para que cada vez mais, as crianças permaneçam inativas por mais tempo e caminhem menos [3].

Essa tendência é global e todos aqueles que tratam crianças estão preocupados, não só pelo crescimento da obesidade, mas por que as crianças tendem a fazer cada vez menos atividade física. A Academia Americana de Pediatria emitiu várias recomendações focadas na prevenção da obesidade, que em geral, podem resumir-se à seguinte frase:

As crianças necessitam realizar diariamente 60 minutos de atividade física moderada a vigorosa para manter-se saudáveis e prevenir a obesidade.

De forma mais detalhada, essa tabela mostra as atividades recomendadas por grupo de idade [5].

Amamentação (1 a 11 meses)

Colocar o bebê em um ambiente que estimule a exploração e o movimento enquanto se mantêm seguros.

Primeira infância (1 a 4 anos)

É recomendado que realizem diariamente de 20 a 30 minutos de atividade física estruturada. Evitar mantê-los inativos por mais de 1h, exceto quando dormem.

Segunda infância e adolescência (5-18 anos)

Devem realizar ao menos 60 minutos de atividade física de moderada a vigorosa diariamente. É importante que participem de atividades variadas e apropriada para sua idade.

Estimule todo o tipo de atividade para ajudar a desenvolver sua coordenação motora. As atividades recomendadas por grupo de idade são as seguintes:

Idade

Habilidades motoras em desenvolvimento

Atividades físicas apropriadas

5-6

Fundamentais (ex: correr, pular, lançar, capturar, chutar)

Aquelas que foquem na diversão e no desenvolvimento ao invés da competência.

Atividades simples que tenham poucas instruções

Atividades repetitivas que não requerem habilidades complexas

7-9

Transitório básico (ex: lançar a distância, pontaria)

Aquelas que foquem na diversão e no desenvolvimento ao invés da competência

Com regras flexíveis

Que tenham poucas instruções

Que não requerem habilidades complexas.

10-12

Transitório completo (ex: futebol, basquete)

Aquelas que foquem na diversão e no desenvolvimento ao invés da competência.

Que requerem habilidades motoras e cognitivas complexas

Aquelas que incorporem instruções, regras e trabalho em grupo.

Como você já deve saber, o exercício é um pilar da saúde, mas outro pilar é uma alimentação adequada. Um dos pontos mais importantes sobre ela é que seja uma dieta rica em micronutrientes, ou seja, vitaminas, minerais, aminoácidos essenciais e ácidos graxos essenciais. Dentre elas, a vitamina A é a que ajuda a melhorar o rendimento durante o exercício e diminui a dor muscular que aparece depois de realizar um exercício intenso [6]. Ainda que esses efeitos tenham sido estudados em adultos, é provável que funcione de maneira muito semelhante em crianças.

Assim, encorajando o exercício e a boa alimentação, seus filhos podem melhorar seu estado de saúde e prevenir a obesidade.

1. Biswas, A., et al., Sedentary time and its association with risk for disease incidence, mortality, and hospitalization in adults: a systematic review and meta-analysis. Ann Intern Med, 2015. 162(2): p. 123-32.

2. Patterson, R., et al., Sedentary behaviour and risk of all-cause, cardiovascular and cancer mortality, and incident type 2 diabetes: a systematic review and dose response meta-analysis. Eur J Epidemiol, 2018. 33(9): p. 811-829.

3. Rodriguez-Ventura, A.L., et al., Barriers to lose weight from the perspective of children with overweight/obesity and their parents: a sociocultural approach. J Obes, 2014. 2014: p. 575184.

4. Daniels, S.R., S.G. Hassink, and N. Committee On, The Role of the Pediatrician in Primary Prevention of Obesity. Pediatrics, 2015. 136(1): p. e275-92.

5. Finnell, S.M., J.L. Stanton, and S.M. Downs, Actionable recommendations in the Bright Futures child health supervision guidelines. Appl Clin Inform, 2014. 5(3): p. 651-9.

6. Patlar, S., A.K. Baltaci, and R. Mogulkoc, Effect of vitamin A administration on free radicals and lactate levels in individuals exercised to exhaustion. Pak J Pharm Sci, 2016. 29(5): p. 1531-1534.