A importância do Ômega 3 na saúde humana

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A importância do Ômega 3 na saúde humana

Por Prof. Dr. Mauro Fisberg, CRM 28119

Pediatra e nutrólogo, Coordenador do Centro de Nutrologia e Dificuldades Alimentares do Instituto PENSI, Fundação José Luiz E. Setúbal e professor do departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina Unifesp.

Nos últimos anos, com o aumento do número de casos de mortes e acidentes vasculares, muitas pesquisas têm buscado soluções para a prevenção destes problemas. Entre os inúmeros fatores conhecidos, como a redução do fumo, bebidas alcoólicas, aumento da atividade física e dieta mais saudável, discute-se o papel das gorduras, especialmente dos chamados ácidos graxos, presentes especialmente nos peixes de água salgada. O consumo destes alimentos e consequentemente destas gorduras, especialmente os ácidos conhecidos como Ômega 3, como o EPA (acido eicopentosanóico) e o DHA (acido docohexanoico), estão associados com a redução das enfermidades coronarianas, infarto do miocárdio e mesmo na diminuição do risco de mortalidade geral.

Além dos pescados, alguns alimentos também são considerados como alimentos fonte de gorduras que fornecem ômega 3. Assim, pessoas que não consomem carnes, podem ter deficiência se não ingerirem alimentos fontes de gorduras. Os vegetais contêm acido alfa-linolênico (ALA) como a semente de linhaça, sementes de chia, abóbora e outros. No entanto, o ALA precisa ser convertido no organismo em EPA e DHA. A taxa de conversão é baixa, e o aproveitamento é pequeno. Portanto, especialmente vegetarianos e veganos precisam de uma ótima orientação nutricional para evitar a deficiência. Outros alimentos que podem ser utilizados, mas com difícil acesso são as microalgas.

– A recomendação de consumo de ômega 3 passa pela ingestão frequente de pescados, especialmente os ricos em ácidos graxos, como os peixes de água salgada ou de alimentos fortificados. No entanto, a dificuldade de ingestão destes alimentos por toda a população, seja por acesso inadequado pelo custo ou pela falta de hábitos, acaba determinando a necessidade de uso de suplementos.

Estudos de revisão de intervenções mostram que o uso de ômega 3 podem favorecer especialmente na prevenção de eventos mais graves, como infartos que levam a morte. – Um dado interessante é a possível associação de efeitos com o uso de drogas que funcionam diminuindo o nível das gorduras sanguíneas, como as estatinas.

Como estas drogas, especialmente em doses altas para combater o aumento do colesterol ou com a combinação de outros medicamentos para reduzir os triglicérides, possuem efeitos desagradáveis como dores musculares crônicas, procurou-se avaliar o efeito da suplementação com ômega 3 na redução dos triglicerídeos. Verificou-se que esta suplementação foi extremamente eficaz para a redução das gorduras sanguíneas, associadas a uma dieta equilibrada e saudável.

– Um outro fator importante dos ômegas 3 na saúde humana, é o seu papel no desenvolvimento da memória, aprendizado, inteligência e capacidade de modificação de problemas, o chamado sistema cognitivo. As gorduras participam da formação das membranas das células do sistema nervoso central, facilitando a transmissão de informações entre as células e ajuda a garantir o tecido nervoso. Alguns estudos também mostram que a suplementação de ômega 3 ajuda na capacidade de modular nosso comportamento, prevenindo a depressão e os transtornos de humor, no estresse e na ansiedade.

Durante o período pré-natal e nos primeiros dois anos de vida, estas gorduras ajudam a formar o tecido nervoso, garantindo um adequado desenvolvimento. O cérebro humano é composto de uma grande quantidade de gorduras e o DHA é o maior componente. O uso de suplementos durante a gestação mostrou que o consumo de ômega 3 poderia levar a melhor desenvolvimento visual e intelectual de crianças, ajudando no aprendizado e reduzindo o número de processos infecciosos.

  • Em resumo, o consumo adequado de uma dieta com gorduras de boa qualidade e a suplementação contínua com ômega 3 podem contribuir para a prevenção de problemas cardiovasculares, reduzindo o nível de gorduras “ruins” e aumentando o de gorduras “boas”, além de reduzir a necessidade de medicamentos para a redução dos triglicerídeos. Os ômegas 3 ajudam na formação da retina, evitando a degeneração do tecido ocular (mácula), e da bainha de mielina, essencial no desenvolvimento do cérebro. Portanto, estão associados ao desenvolvimento, ao sistema de defesa contra infecções, e prevenção de doenças crônicas que podem levar a um aumento da mortalidade.