Como enriquecer a nutrição infantil com vitaminas do complexo B e os benefícios que isso implica para a saúde.

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp

Há alguns anos, um novo termo foi cunhado em nutrição, especialmente nutrição infantil: fome oculta. E entendemos que, além de focar em anteder as quantidades de macronutrientes na dieta, ou seja, o consumo e equilíbrio adequados entre proteínas, lipídios e carboidratos, também é importante focar na qualidade da dieta e sua concentração de micronutrientes, como vitaminas, minerais e fitonutrientes, tais como ácidos, polifenóis, álcalis e bioflavonóides. São encontrados em alimentos de origem vegetal e têm funções biológicas diferentes.

E, embora uma pessoa, e em particular uma criança, tenha o peso e tamanho corretos para sua idade e potencial genético, e pareça relativamente saudável, eles podem estar sofrendo de deficiências nutricionais que podem ter impactos em seu desenvolvimento, habilidades físicas, cognitivas e saúde em geral. Muitas vezes essas deficiências são de vitaminas ou minerais que precisamos em concentrações muito pequenas. Essas deficiências não são fáceis de identificar, exceto por seus sintomas: se seus filhos estão sempre cansados, desencorajados, com pouco desejo de brincar e explorar, pálidos ou abatidos, podem ser sinais da fome oculta.

Embora existam deficiências de diferentes substancias no organismo, as mais comuns são aquelas relacionadas aos elementos nutricionais solúveis em agua, uma vez que devem ser consumidos todos os dias para garantir uma nutrição correta e o corpo não pode acumulá-las ou ter reservas para fornecer o que não é consumido ao longo de um dia ou uma semana.

Entre essas substancias, que são essenciais e não se acumulam no organismo, estão o complexo de vitaminas B, um grupo de oito compostos químicos de natureza diferente, mas que compartilham, além de sua solubilidade em agua, algumas funções no corpo, pois eles são todos auxiliares do metabolismo (isso significa que eles nos ajudam a extrair energia dos macronutrientes contidos nos alimentos, como combustível para nossas células). Cada uma dessas substancias possui outras funções específicas no corpo, além das quais todas ajudam no bom funcionamento do sistema nervoso, promovendo sinapses nos neurônios do cérebro que envolvem desenvolvimento cognitivo, desenvolvimento muscular e condução do impulso nervoso. Além disso, eles favorecem ou sustentam o crescimento dos mais jovens. É por isso que eles são muito importantes durante a infância para garantir o crescimento físico e desenvolvimento mental, o desempenho escolar correto e o desenvolvimento das habilidades cognitivas.

Infelizmente, as carências nutricionais por deficiência de vitaminas B é comum em crianças latino americanas; especialmente, a anemia é comum em crianças em nossa região, desde bebês, recém-nascidos desmamados (já que o leite materno não contém quantidades adequadas de nutrientes para evita-las a longo prazo) à crianças em idade escolar, embora em menor grau. A anemia é uma condição relacionada à formação ou eficiência dos glóbulos vermelhos, que transportam oxigênio para as células do corpo, incluindo principalmente os músculos, e para os neurônios do cérebro, onde promovem sinapse essencial para o desenvolvimento cognitivo.

Existem vários tipos de anemia, mas a maioria deles está associada a uma ou outra vitamina do complexo B; a megaloblástica com vitamina B12, ou a hemolítica ou perniciosa, que ocorre devido à deficiência de folato ou ácido fólico. No Brasil, estima-se que entre 20% e 50% das crianças com até 5 anos sofram de anemia por deficiência de ferro. Para evitar a anemia, quase de qualquer tipo, a melhor estratégia é consumir uma dieta completa e equilibrada e garantir o consumo dos micronutrientes a ela associados, em particular o ferro de alta biodisponibilidade, a vitamina C e as vitaminas do complexo B.

O consumo de vitaminas B na dieta em quantidades adequadas e da maneira correta pode parecer relativamente simples, pois são nutrientes encontrados em concentrações adequadas em muitos vegetais e frutas, além da carne vermelha, gema de ovo e muitos outros produtos da dieta de origem animal, também nos feijões e cereais, bem como nas oleaginosas.

No entanto, garantir uma ingestão diária suficiente, adequada e sustentada ao longo do tempo é complexo, pois consumir as recomendações diárias de vegetais e frutas, 400g por pessoa, é um desafio, e, por que não temos todos os dias a nutrição ideal que gostaríamos.

Por isso, como pais e líderes da dieta da família, vale a pena conhecer os alimentos que contém essas vitaminas em altas concentrações, como vegetais de folhas verdes, algumas leguminosas como feijão, sementes, amendoim e frutas como o melão. Mas, também como estratégia de prevenção e segurança adicional para a nossa família, vale a pena incluir na lista de compras e na dieta de nossos filhos os alimentos enriquecidos com vitaminas do complexo B: farinha e cereais enriquecidos, leite e derivados adicionados e muitos outros. Eles contem quantidades concentradas desses nutrientes, em um veiculo que é comum em nossa mesa e que nossos filhos gostam, o que por si só representa uma vantagem.

Analise os rótulos dos alimentos que seus filhos e sua família costumam consumir e escolha aqueles que, além de um equilíbrio adequado entre macronutrientes e energia, também contém quantidades maiores de micronutrientes, os fortificados: são biodisponíveis e estáveis, fácil de absorver pelo organismo e que se mantém bem nos alimentos.

Assim, e somente assim, teremos certeza de que todos os dias nossas crianças e nossa família obtenham esses importantes nutrientes para sua nutrição e desenvolvimento em quantidades suficientes que ajudem a evitar deficiências, mesmo que sejam micro, e a evitar anemias que podem afetar o desenvolvimento cognitivo e físico do seu filho.

 

Referencias:

  1. World Health Organization. Vitamin and Mineral Nutrition Information System. Micronutrients Database. Geneva: WHO. http://www.who.int/vmnis/database/en/(accessed accessed January 2014).Google Scholar | PubMed
  2. United Nations Children’s Fund. Multiple Indicator Cluster Surveys. New York: UNICEF. http://www.unicef.org/statistics/index_24302.html(accessed accessed January 2014).Google Scholar | PubMed
  3. World Health Organization & Food and Agriculture Organization (2006) Guidelines on Food Fortification with Micronutrients. [Allen, L, de Benoist, B, Dary, O et al., editors]. Geneva: WHO.Google Scholar
  4. Gera, T, Sachdev, HS & Boy, E (2012) Effect of iron-fortified foods on hematologic and biologic outcomes: systematic review of randomized controlled trials. Am J Clin Nutr96, 309–324.CrossRef | Google Scholar